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A tradição de cantar os Reis é muito antiga em Zedes. Praticamente desde o Natal até ao Dia de Reis, grupos de rapazes, raparigas, homens e mulheres, solteiros ou casados, juntavam-se junto à igreja e iam pela aldeia para cumprir esse ritual de paz e alegria.
De porta em porta, pela calada da noite e à luz de candeeiros, subiam as escadas e colocavam-se junto das portas o mais silenciosamente que conseguiam. Por vezes faziam-se acompanhar de instrumentos musicais. Ainda há quem se recorde da paixão com que o sr. Ângelo e o sr. Armindo tocavam, um violino, o outro bandolim! Com o corpo frio mas as gargantas quentes, da caminhada e também de um copito de vinho que se bebia aqui e ali, quebravam o silêncio das noites longas de Inverno. No calor da lareira os habitantes recebiam com alegria a visita desses Cantadores de Reis. Caso não lhes abrissem a porta, corriam o risco de ouvir alguns versos menos agradáveis. Os cantadores recebiam em troca, alheiras, salpicões, linguiças, castanhas picadas, figos secos, nozes, amêndoas, vinho e, por vezes, algum dinheiro. Os mais receptivos, convidavam-nos a entrarem, a comerem e a beberem com a família. A mesa sempre tinha alguma coisa, desde o Natal ao Ano Novo. Na Casa Grande havia sempre um copinho de vinho fino para afinar a garganta. A “receita da noite” podia ser dividida entre todos, ser entregue para a igreja ou guardava-se para fazer uma festa.

Deitai os olhos ao céu Lá vereis uma cruz Nós viemos pedir a esmola Para o menino Jesus.
Viemos aqui Todos reunidos Dar as Boas Festas Aos nossos amigos.
Não é por interesse Oh rapaziada Queremos que estimem A nossa rizada.
Ainda agora aqui cheguei Ao cimo desta escada Logo o meu coração disse Que aqui mora gente honrada
Quem diremos nós que viva Viva viva viva quem Vivam os senhores desta casa A sua família também.
Quem diremos nós que viva No graõzinho do arroz Vivam os senhores desta casa Por muitos anos e bôs.
Quem diremos nós que viva Na folhinha do loureiro Viva o senhor (nome) Que é um grande cavalheiro.
Quem diremos nós que viva Correntes de ouro ao peito Viva o senhor desta casa Que é um homem de respeito.
Quem diremos nós que viva Na folhinha da oliveira Viva o senhora da casa (nome) Que é uma grande cozinheira.
Quem diremos nós que viva Na folha da salsa crua Viva a senhora (nome) Que alumia toda a rua.
Quem diremos nós que viva Na asinha do cabaz Viva a menina (nome) Deus lhe dê um bom rapaz.
Esta casa é bem alta Forrada de papelão Senhores que estão lá dentro Deitem cá um salpicão
Esta casa é bem alta Forradinha de cortiça Senhores que estais lá dentro Deitem cá uma linguiça
No caso de não abrirem a porta:
Cantamos e recantamos Voltamos a recantar Estes barbas de farelos Não têm nada que nos dar
Vamos dar as boas noites Boas noites vamos dar Estes barbas de farelos Não têm nada que nos dar.

Vimos vos dar as Boas Festas Vós direis que já é tarde Ninguém vo-las deu mais cedo No amor e na vontade.
Entrai pastores entrai Por este portal a dentro Vinde ver o Deus Menino No sagrado nascimento.
Entrai pastores entrai Por este portal sagrado Vinde ver o Deus Menino Numas palhinhas deitado.
Vai alta a lua vai alta Mais que sol ao meio dia Mais alta ia a senhora Quando para o céu subia. ou Quando para Belém partia.
A cabana era pequena Lá cabiam todos três A adorar o deus menino Cada um por sua vez.
Os três reis andam guiados Pela estrela da guia Eles andam procurando Se o menino nasceria.
Nossa senhora é rosa Seu menino é um cravo S. José é jardineiro Desse jardim sagrado.
Despedida despedida Deu a cereja ao ramo Também nós nos despedimos Queira Deus que de hoje a um ano.
Com a colaboração da srª Etelvina dos Santos
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