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À descoberta de marcações no termo de Zedes PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Aníbal Gonçalves   
Segunda, 31 Dezembro 2007 00:00

Quando no dia 30 de Dezembro fui à missa em Zedes, não estava nos meus planos partir à descoberta de curiosas marcações gravadas nas rochas há alguns séculos atrás. Felizmente levei a máquina fotográfica e com o Sr. Padre Bernardo como guia, tive um fim de tarde memorável.

 

No dia 30 de Dezembro, depois da missa, estava a fazer mais um registo fotográfico do presépio na igreja de Zedes, quando o Sr. Padre Bernardo saía da igreja. Parou para me cumprimentar, e, depois de um minutos de conversa, desafiou-me a ver algumas rochas com formas curiosas. Conhecedor do gosto que o senhor padre tem em percorrer montes e vales em busca de vestígios históricos ou simples curiosidades da natureza, aceitei de imediato. O meu filho mais novo, o António, acompanhou-nos.

Nas Fontes, seguimos pela Cheira até à Carvalhosa. Continuámos pelos montes até encontrarmos a estrada da Felgueira, com algum receio, pois era dia de caça. Pelo caminho fomos encontrando algumas rochas com formas curiosas, obras da natureza, que (explicou o sr. Padre) foram em tempos bem remotos, locais e objectos de culto.
O passeio estava tão animado que continuámos termo acima, em direcção ao Folgares. Ambos conhecíamos marcas nas rochas da separação do termo de antigos concelhos. Quando Zedes pertencia a Ansiães e Freixiel e Pereiros a Freixiel (da Ordem de Malta), a separação dos concelhos foi feita gravando cruzes nas rochas que por várias vezes já mostrei em fotografia. Eu conhecia a localização de três dessas cruzes nas rochas e de um marco com uma quarta. O sr. Padre conhecia outras e o passeio prometia ser animado.

Deixámos o jeep e subimos ao cume de um aglomerado de grandes rochas. A vista daqui é magnífica! Para surpresa minha, ali nos esperava a primeira marcação. A algumas centenas de metros, outra e mais à frente outra. Esta última mais rústica com aspecto de alguém a ter tentado apagar.

Estávamos muito perto de um vale com rochas de formas inacreditáveis, onde curiosamente tinha estado a tirar fotografias no dia 31 de Dezembro de 2006! Mas uma surpresa maior me esperava. Já conhecia de algumas conversas e de alguns escritos a existência de uma lagareta medieval escavada na rocha granítica. Embora por vezes seja localizada em terrenos de Folgares, como pude constatar no local pelas marcações históricas gravadas nas rochas está em terrenos de Zedes. Este pequeno lagar de formas bem perfeitas e escavadas no duro granito também é conhecido por Lagar dos Mouros. Fiquei bastante contente por finalmente o conhecer.

Dirigimo-nos para perto do campo de futebol de Folgares, onde está um marco com uma cruz da Ordem de Malta gravado. Já o sol se escondia no horizonte quando encontrámos um grupo de caçadores em fim de jornada. Dois dedos de conversa e tivemos que beber uns goles de vinho, por simpatia.

Estávamos tão entusiasmados que seguimos até à estrada de Folgares e continuámos à descoberta doutras marcações. Do campo de futebol até ao cruzamento do caminho que desce para a Quinta do Pobre, há pelo menos 3 bonitas cruzes gravadas nas rochas. Já noite cerrada, decidimos ir ao encontro de uma outra marcação perto do Campo de Tiro. Não foi fácil encontrá-la, mas, nas buscas, acabámos por encontrar não uma mas três cruzes. Junto de uma delas encontrámos também uma pedra bolideira que é necessário investigar melhor. É muito difícil e perigoso andar por aquelas paragens de noite. Satisfeitos com as “descobertas” decidimos que estava na hora de voltar a Zedes.

Além das marcações que eu ou o sr. Padre já conhecíamos, acabámos por encontrar outras que desconhecíamos por completo. Tenho intenção de voltar lá, à luz do dia, para as fotografar melhor.

Foi um final de tarde excitante. Demos volta a metade da folha de Zedes à descoberta de locais de interesse que é importante conhecermos e valorizarmos. Só tenho a agradecer ao sr. Padre Bernardo pelo passeio e pelo entusiasmo com que vai descobrindo estas e outras particularidades da nossa terra.

Actualizado em Sexta, 23 Julho 2010 02:06