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Passeio ao Pé-de-Cabrito PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Aníbal Gonçalves   
Sábado, 06 Maio 2006 00:00

Aproxima-se o Dia Mundial do Ambiente e Zedes é um bom lugar para se viver um ambiente natural e saudável.
O desafio foi lançado e quem quis aceitou-o. No dia 3 de Junho fizemos um pequeno passeio ao Pé-de-cabrito. Foi um passeio calmo, bem disposto, que nos permitiu admirar a paisagem de um dos pontos mais bonitos da nossa aldeia.
Principalmente para os que quiseram estar presentes mas não puderam porque estão longe, fica uma reportagem (com algum sentimento à mistura) e um pequeno conjunto de fotografias do passeio.

Pela manhã, tomámos um pequeno-almoço reforçado, e, pouco passava das nove horas quando chegámos ao local do encontro, o Loureiro. Já nos esperavam 4 pessoas que juntamente comigo e com o meu “assistente” mais novo constituiu o grupo da caminhada. Um grupo pequeno mas afoito e disposto a caminhar.

O tempo estava impecável: o céu totalmente limpo, um sol brilhante e um ventinho leve que nos ajudou a manter a frescura física até ao final.

O percurso estava mais ou menos delineado, pelo menos na minha cabeça. Uma visita à Anta, a subida ao Pé-de-cabrito e, se possível, procurar vestígios da exploração mineira na Cabreira.

Partimos pela Fonte-do-galego e passámos o ribeiro. Logo ali, olhando para trás, comentámos quanto a nossa aldeia é bonita! Estendida ao sol da manhã, via-se desde o cimo do Bairro até ao fundo da Ribeira.

Demos volta à chacra dos Barbosas, não sem antes deitarmos uma espreitadela ao tanque e à mina de onde jorra ainda grande quantidade de água fresca, pelo que dizem, muito boa. Os agriões já estão floridos mas há-os em quantidade.

Subimos um pouco e chegámos à Anta. Entrámos e demos uma vista de olhos nos vestígios das pinturas. Depois de uma fotografia em grupo, saímos por um carreiro que nos levou à estrada e depois ao caminho dos Brunhais.

Foi agradável ouvir de novo o som dos Bernard a chuparem água dos poços e ribeiros. Água que escorria por regos sedentos ladeados por batateiras que ainda plantam em abundância por estes lados. Seguimos pelo caminho comentando: olha ali este terreno era nosso; aqui havia videiras; lavrei este terreno com a égua; aqui havia castanheiros gigantescos; este terreno é do Raul…

Sem darmos conta, chegámos ao que resta de um souto. Os mais novos admiraram-se com a dimensão do tronco de um castanheiro centenário. Demos várias voltas em seu redor tentando absorver todas as histórias que teria para nos contar. Cantavam aves em sinfonia até que passou um Maranteu que respondia aos nossos assobios. Por certo procurava alguma cerejeira com os frutos maduros.

Metemos os pés na terra fresca, recém lavrada e pouco depois estávamos na estrada dos Folgares.

Tinha na minha memória, não sei de há quantos anos, poços de pesquisa de minério. Que caminho devíamos seguir? Decidimos subir a encosta em direcção ao local onde julgava existirem esses poços. De facto lá estavam. A desilusão foi grande. Em seu redor vimos toda a espécie de lixo. As rodeiras frescas demonstram que ali vão camionetas despejar detritos, quer à volta, quer para dentro dos poços das explorações de minérios. O local é perigoso, mas nada justifica este atentado ao ambiente.

Mesmo sem caminho, descemos a encosta. Toda a área ardeu há pouco tempo e é fácil caminhar por entre as “estátuas” naturais de granito.

Apareceu-nos uma mina que decidimos explorar. Depois de ultrapassarmos as silvas que obstruíam a entrada, explorámos o seu interior. Teria cerca de 15 metros escavados em granito puro e rijo. Tão rijo que dele não saía uma gota sequer de água. Os vestígios indicavam que tinha sido aberta à custa de dinamite. Não sei se procuravam água se um novo filão de volfrâmio, mas nada devem ter encontrado.

Por momentos tive uma visão rara: um melro das rochas. Poucos devem conhecer esta ave. Não admira, tem até o nome de solitária e apenas existem em zonas muito rochosas e isoladas.

O Pé-de-cabrito estava mesmo ali ao lado. À medida que nos aproximámos ia crescendo e ficando assustador. E agora? Havia muito mato, muita giesta queimada e o percurso para a subida foi descoberto pouco a pouco, com algum esforço e muitos arranhões. Por fim encontrámo-lo. Foi um momento soberbo. Há medida que íamos subindo, um manto branco de malmequeres selvagens davam-nos as boas vindas.

Esquecemos os arranhões e gozamos toda a beleza natural que os nosso olhos alcançavam. Via-se Freixial lá ao fundo, abraçado pelo vale, adormecido pelo calor do sol. Do outro lado do ribeiro, o Mogo, quase ali ao lado. Subimos com o olhar os caminhos que cortam a encosta e condizem à aldeia. Recordei uma caminhada de Zedes ao Mogo, há algumas décadas atrás, num Domingo de festa da Senhora da Saúde, em que subi um deles, guiado pelo sr. Armando, a caminho da festa.

 

Descemos com calma. Agora já sabíamos o caminho.

Começámos a abandonar o Pé-de-cabrito em direcção ao campo de tiro, mas, rapidamente deixámos o caminho fácil. Aproveitámos um quebra-fogos e atravessámos o espaço que nos separava da estrada dos Folgares. Passámos a Quinta da Cabreira, acompanhámos o ribeiro da Lameira. De novo nos vieram à memória as tardes de sol, as lavadeiras no ribeiro, o cheiro penetrante e quente das cabras na curriça. Dos lugares onde as lavadeiras cantavam enquanto lavavam já nada resta, mas lá estava a pequena lameira, que em tempos deve ter sido baldio, onde passei tardes incontáveis. Enquanto a burra comia a pouca erva que existia, procurava ninhos de melra e picanço nas silveiras, pintava os joelhos de verde em lutas intermináveis com colegas de escola que, como eu, tinham a tarefa de levar os animais para o pasto.

Enlevado nestes pensamentos, eis que chegámos à estrada de alcatrão. Já passava do meio dia mas ninguém notou. Enquanto subíamos o Bairro do Emigrante já íamos planeando novas iniciativas.

O sonho comanda a vida, e, se a força nas pernas não nos faltar, é por ele que vamos.

 


Aníbal Gonçalves
03-06-2006

 

Actualizado em Sexta, 23 Julho 2010 01:56