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Com a reestruturação das freguesias forçada pela interversão da Comunidade Europeia no resgate a Portugal, a Freguesia de Zedes está neste momento numa fase bastante complicada da sua existência. Qual será o seu futuro?
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O Poder da palavra dada e escrita PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por João Manuel Sampaio   
Domingo, 02 Agosto 2009 00:00

É com muita honra que 25 anos depois, como filho desta terra e na qualidade de Presidente da Direcção da ACDZedes, vos falo, para salientar a importância da palavra, da palavra em si, da palavra dada e da palavra escrita, aquela que hoje na exposição homenageamos: a dita e a escrita, por várias personalidades que em Agosto de 1984, secundaram o então nosso bispo, D. António Rafael, que em Zedes, aqui na nossa terra, utilizou uma expressão muito portuguesa, durante a II Semana Cultural levada a cabo pela ACDZ, e no dia dedicada ao Emigrante. A expressão Saco Roto.

A Junta de Freguesia de Zedes ao organizar esta exposição com a colaboração da Associação, do povo de Zedes, do Jornal Mensageiro Noticias e da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, em boa hora acatou a ideia que no fundo, sendo uma ideia por mim lançada, enquanto associado, passou a ser uma realidade abraçada por todos, e que penso se tornará num marco que guindará de novo a ACDZ para os patamares necessários de realizações culturais, recreativas, e desportivas que importará dinamizar para bem de todos os associados e população em geral.
Deixar passar em branco os 25 anos das falas de D. António Rafael e não só, tendo como epicentro o “Saco Roto”de Zedes, era esquecer uma data que só pelo alcance das palavras escritas teria de ser recordada.
Em jeito de partilha de palavras ditas gostaria de viajar convosco através de palavras de outros e de outras culturas mas que se adequam a nós:
- Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida (Provérbio chinês).
Se quiséssemos fazer mera história diríamos que ninguém lançou flechas, apenas se usaram canetas e palavras, no momento certo, dentro de uma dimensão democrática que se vivenciava em Portugal e que se consolidava no dia à dia, em que todos os contributos eram necessários para a consolidação da democracia em Portugal.
Não está hoje aqui em causa, revisitar por revisitar, a polémica, o debate de ideias e as formas de dizer dos intervenientes, dos factos, mas recordar um momento impar da vida associativa da ACDZ, que no passado dia 23 de Julho de 2009, fez 28 anos que foi fundada por um punhado de homens bons da nossa terra, dos quais 4 já partiram do nosso convívio mas que continuam vivos na nossa memória e que nos souberam aconselhar com a sua palavra sábia, dita, nos momentos em que nos importava ouvir o seu conselho prudente.
Encontrei no Google, um motor de busca da internet, uma frase do Padre Fávio de Melo, em que ele diz: - “Ando a pensar no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero sê-lo também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar” -, pois, a palavra é um poder. A palavra dada no tempo mais ido, há 25 anos, tinha um grande valor. Era uma palavra de honra, que honrava quem a dizia. Não era necessário reduzir nada a escrito e nem tão pouco testemunhas; bastava apenas a palavra dada, hoje já nem a escrita por vezes tem valor.
Hoje se bem repararmos, nem a palavra escrita é honrada e por vezes não tem qualquer valor. As pessoas quantas vezes não honram nem a palavra dada nem a escrita.
Mas gostaria de em breves minutos, partilhar convosco um conjunto de afirmações, de outros, como já referi, que usaram a palavra de forma sábia e sempre se preocuparam com o valor ético da palavra, sabendo que por vezes na vida real a melhor resposta a tanta palavra dita de forma imponderada é o silêncio que também quantas vezes diz e fala…e é também “lança desferida”.
Vejamos:
- “O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem”. Confúcio
- “Aquele a quem a palavra não educar, também o pau não educará”. Sócrates
- “Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies”. Machado Assis
-(Lembremos expressões e palavras emblemáticas: Heróis do Mar, Grândola Vila à Morena, A vitória é certa, Liberda, fraternidade e igualdade, etc…) As palavras de ordem de grupos, países, pessoas…
- “A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos”.Jean Molière
- “Não se pode chamar de "valor" assassinar seus cidadãos, trair seus amigos, faltar a palavra dada, ser desapiedado, não ter religião. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória”.Maquiavel
- "Existem quatro coisas na vida que não se recuperam:/- a pedra, depois de atirada;/- a palavra depois de proferida;/- a ocasião, depois de perdida e/ o tempo, depois de passado.” Almodóvar
- e convido-vos a perderem alguns minutos e a revisitarem, comigo as palavras escritas nas páginas dos jornais que são já história e ao lê-las revisitamos pessoas, ideias, sítios e momentos.
Mas já agora tomemos atenção às falas de dois textos, um de William Stringfellow
- “Escutar é um raro acontecimento entre seres humanos. Você não pode ouvir a palavra sendo dita por alguém que esteja falando, se estiver preocupado com a sua aparência, em impressionar o outro ou tentando resolver o que vai dizer quando o outro parar de falar, ou mesmo questionando se o que está sendo dito é verdade, relevante ou agradável. Essas questões têm o seu lugar, mas só depois de escutar a palavra como está sendo expressa. Escutar é um ato primitivo de amor, em que a pessoa se dá à palavra de outro, tornando-se acessível e vulnerável àquela palavra”.
E outro do padre Flávio de Melo:
“Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio.
Palavra errada, na hora errada, pode transformar-se em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém.
Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.
Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir”.
Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.
- E quanto à escrita, escreve, Sérgio Henrique Guerra de Sousa, sobre o poder da palavra escrita,
- Que a “língua escrita tem um importante papel na nossa sociedade. Poucas pessoas aceitariam apenas um contrato verbal para fechar um negócio. Normalmente, exige-se um contrato por escrito e assinado, talvez até com firma reconhecida em cartório. Uma lei, quando votada e aprovada no Congresso, só vale depois da publicação no Diário Oficial da União. Os exemplos são tantos que se tende a achar que, se está escrito, deve ser verdade. O fato é que toda regra tem sua excepção, e o correio electrónico é um dos mais claros exemplos disso. Minha regra de ouro ao ler e-mails é: “se a notícia veio por e-mail, ela muito provavelmente é boato ou trote”.
-Tudo isto nos faz pensar, no como devemos ponderar sobre o poder de que falamos….

E muito mais poderíamos dizer sobre a palavra escrita, falada, televisionada e sobre o seu poder…mas depois de viajarmos pelas palavras podemos também concluir que elas são importantes para fazer memória que projecta o futuro.Com a memória dos homens, dos seus exemplos e das suas palavras, podemos de novo revigorar a vida associativa e contribuir para o bem estar de todos os que quiserem connosco fazer o caminho associativo.
Disse!

 


Zedes, 1 de Agosto de 2009

João Manuel Sampaio

Texto base da conferência proferida antes do convivio.

 

Actualizado em Sexta, 23 Julho 2010 01:47