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Com a reestruturação das freguesias forçada pela interversão da Comunidade Europeia no resgate a Portugal, a Freguesia de Zedes está neste momento numa fase bastante complicada da sua existência. Qual será o seu futuro?
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Festa de Zedes 2008 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Aníbal Gonçalves   
Segunda, 18 Agosto 2008 00:00

Depois de decorridos alguns dias do reboliço da festa de Zedes, chegou o momento de passar em revista o que aconteceu. Longe do calor dos acontecimentos, só o que foi importante ficou, o resto, foi com a música, Murada acima, perturbar o tranquilo bailado dos carvalhos.

O programa era arrojado: estavam prometidos três dias de festa, para quem esteve tantos anos sem um dia de festa, é caso para pensarmos que a animação já se instalou em força.

 

(Clicar nas fotografias para as ver em tamanho maior)

A noite de sexta foi animada pelo Mário Madeira. As suas actuações a solo já ficaram para trás, sendo agora um grupo bem animado. Um acordeon faz saltar o pé em qualquer arraial, e foi isso que aconteceu. As pernas descansadas, a noite amena, a música animada, foram os ingredientes suficientes para que o recinto fosse percorrido em largos passos de dança, sem encontrões ou atropelos.

O menor número de pessoas em relação a anos anteriores, foi compensada pela alegria dos presentes, grupos de jovens, com mais alegria do que jeito, mas com um à vontade de fazer inveja. O baile durou até altas horas.

O programa para Sábado, dia 9, tinha como novidade a actuação de três ranchos folclóricos: Rancho Folclórico de Freixiel, Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Sonim e Rancho Folclórico Os Murcenses da Vila de Murça. Estas manifestações culturais são para mim, cheias de significado. Além das músicas, canções e trajes, transportam a alma das pessoas, a sua cultura, o seu dia a dia. São a manifestação mais pura do povo que somos. A esta amalgama de pontos positivos juntamos ainda o facto de ser uma festa de cores e encontro de gerações. Basta ver as idades dos executantes para verificarmos que nos ranchos folclóricos todos têm lugar, dos mais novos aos mais idosos.

Conheço bem o rancho folclórico do nosso vizinho Freixiel. Estão ainda numa fase de renascimento, mas a sua juventude e alegria prometem longevidade e um futuro repleto de actuações. Conheço as suas canções de cor:

Se eu fosse rato eu ruía eu ruía
Se eu fosse rato eu ruía o teu chapéu
Ó coradinha dá-me as voltas com jeitinho
Ó coradinha nós vamos fugir p'ró céu.

Se eu fosse rato eu ruía eu ruía
Se eu fosse rato eu ruía o tua saia
Ó coradinha dá-me as voltas com jeitinho
Ó coradinha nós vamos fugir p'rá praia.

Executaram graciosas danças de roda e paralelas, tudo sobre o sol escaldante da tarde. Para terminar, três pares executaram uma dança bastante vigorosa e alegre, onde colocaram todo o seu brio.

Entrou de seguida o segundo grupo da tarde. Os dançarinos que o integravam, eram todos bastante jovens, mas no coro havia gente com muita idade. Os seus cantares e dançares ilustravam os trabalhos do campo e a lida da casa. Assistimos à vareja das oliveiras e ao trabalho da lã até à feitura do vestuário.

Executaram as danças com alguma timidez, mas com a simplicidade e graciosidade que só os mais pequenos têm. Não faltaram palmas para tão concentrados jovens e crianças.
O terceiro grupo da tarde era o mais maduro e rodado dos três. Cinco pares de jovens dançarinos, em plena pujança da vida, executaram todas as danças, da primeira à última com um sorriso rasgado, como se pusessem toda a felicidade, nos seus passos. A sua alegria era contagiante.

Chamaste-me moreninha
Isso é do pó da eira,
Hás-de-me ver ao Domingo
Como a rosa na roseira.

Trocaram-se promessas, bilhetes de amor, com gestos simulados alegres e carinhosos.
Com alguma brejeirice, foram cativando o público, que no final desceu ao palco e se misturou com os dançarinos.

Esta tarde de folclore foi uma boa aposta da comissão de festas. Apesar de merecer mais público, foram bastantes os que se deslocaram a Zedes, vindos das aldeias vizinhas. O sol escaldante talvez tenha afastado os mais idoso, normalmente mais apegados a este tipo de manifestação cultural, mas foram muitos os que partilharam as poucas sombras existentes durante as mais de duas horas e meia que durou o espectáculo.

A noite foi animada pelo grupo Música & Som. Apesar da música adequada ao arraial, só muito tarde o recinto começou a ganhar alguma graça. A maior concentração de pessoas foi sempre junto ao bar, conversando e bebendo. A noite estava quente.

No dia seguinte, Domingo, não queria perder nem por nada o encontro de futebol feminino, logo pela manhã. Até no futebol feminino Zedes tem que recorrer ao "mercado", recrutando atletas, das freguesias vizinhas. Muita técnica, muito empenho, bastante suor. Infelizmente, mesmo dos poucos assistentes presentes, alguns eram dispensáveis. Mexe comigo ouvir comentários estúpidos e até xenófobos. Mudei-me para o outro lado do campo para não me aborrecer. Estávamos ali para nos divertirmos e não para descarregar raivas. O jogo foi bem disputado mas acabou por vencer a equipa do Bairro Sto. Cristo de Moncorvo (onde até já morei!).

Pela tarde a Banda Filarmónica de Vila Flor, improvisou um concerto à sombras das árvores junto ao fontanário da Portela. Já tinha ouvido (ao longe) os acordes da alvorada, ao longo das ruas da aldeia, mas foi muito cedo.

Às dezassete e trinta realizou-se a eucaristia, animada pelos escuteiros, seguida da procissão pelas ruas da aldeia. A procissão é, sem dúvida, o ponto mais alto da festa religiosa. Os andores, tal como nos últimos anos, foram decorados utilizando flores naturais, por uma florista. O trabalho ao longo da noite de Sábado e pela manhã de Domingo, foi intenso, mas o resultado ficou bonito. Cada andor tinha, por norma uma cor base, com flores de vários tipos e verdura. A igreja estava decorada a tons brancos, com açucenas e gladíolos.

Já sem o solenidade de outros tempos, a procissão percorreu as principais ruas da aldeia, ao ritmo da compasso da banda filarmónica. Cheguei a sentir saudades dos foguetes, mas eles estiveram ausentes. Além dos perigos que acarretam, são uma despesa pesada e muito efémera. Já pelos tons quentes do final da tarde, a procissão desceu o Calvário e voltou à igreja.

À noite novo arraial. Já se notavam algumas ausências, de entre as pessoas mais animadas de sexta e sábado. Parece-me que as energias começaram a faltar, ao terceiro dia de festa. Próximo da meia-noite, o baile estava animado, com o grupo musica IC-5 a puxar pelos pares dançantes.

Não faço a mínima ideia de como correu a festa em termos económicos, em questão de animação, pareceu-me que houve alguma apatia por parte de alguma população, que não aderiu tanto quanto seria desejável. Também me pareceu evidente a existência de muita juventude, principalmente emigrantes, assegurando a continuidade, não tanto na aldeia, mas pelos quatro cantos do mundo.

Há excepção da mudança da data da festa, do primeiro Domingo de Agosto para o segundo, parece-me que a comissão de festas fez um bom trabalho, proporcionando a todos os que quiseram, momentos de fé, alegria e divertimento em quantidade e qualidade.

Ficam recarregadas, até para o ano, as baterias das nossas emoções. As Festas, fazem parte do ritmo das nossas vidas, como as férias, as estações, as sementeiras e as colheitas.


Actualizado em Sexta, 23 Julho 2010 01:49